14 anos, 195 quilos e à espera de um by-pass gástrico

Dayana: 14 anos, 195 quilos e à espera de um by-pass gástricoDayana Carvalho espera ansiosa uma operação de redução de estômago. EFE/MKRP

“Estou muito feliz por esta operação, já não quero ser assim, quero que minha vida mude e as pessoas não se eu ficar vendo”, disse à Efe Dayana do seu natal Colorado, um pequenino povoado localizado na periferia de Guasave, no noroeste estado de Sinaloa.

A jovem, que tem pendente uma última avaliação do pediatra para estudar a sua maturidade óssea e de esqueleto antes da operação planejada para meados de setembro, é também um reflexo da grave crise de obesidade existente no México.

A nação foi enfilado nas últimas décadas entre as primeiras posições mundiais em obesidade, uma realidade que os especialistas qualificam de “epidemia” por sua rápida expansão e que afeta 35 % dos adolescentes.

Operação

imagem de um peso e brinquedos de crianças

Dayana é um caso de obesidade extrema, tem um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 70 quando o aconselhável é entre 18 e 25.

“É um corpo submetido a um grave excesso de peso, o IMC é talvez dos mais altos do mundo em uma pessoa de sua idade. Só se tem registro na Indonésia de Arya Permana, com um problema similar”, disse o doutor José Antonio Cunha, o cirurgião que vai operar a jovem.

Este médico bariatra (obesidade) -que leva 8.000 cirurgias realizadas – explicou que a Dayana você vai realizar um by-pass gástrico tradicional, em uma operação que durou cerca de uma hora.

“O resultado (da intervenção) é melhor do que em um adulto, pois a pele mantém a elasticidade melhor e não vai precisar de cirurgia, pós-operatório”, disse o médico treinado em Espanha e México.

Por se tratar de um paciente tão jovem, casos como o de Dayana não estão isentos de controvérsia no mundo médico.

Não obstante, Cunha lembrou que a IFSO (International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders) recomenda-lo e vários estudos têm demonstrado a sua capacidade para mudar a vida dos jovens com maus hábitos alimentares e extremamente sedentários.

Qualidade de vida

Dayana pode perder até 110 quilos após a cirurgia, mas espera-se que o câmbio seja, além de físico, anímico e mental.

Dayana Carvalho. EFE/MKRP

“Já não pode andar quase, porque se fatiga, e a escola já não quer ir porque ela diz que riem dela”, disse sua mãe, Ramona Carrillo, visivelmente preocupada, porque vê a sua filha, menor de três, “estressada” em casa, onde às vezes há “puros gritos”.

A obesidade Dayana afetou o dia-a-dia desta humilde família de pai caminhoneiro e mãe dona de casa, e o mais preocupante, disse Carrillo, é que a jovem às vezes diz “que se quer morrer”.

Lembrou que Dayana sempre foi uma criança obesa. Começou a ganhar peso aos dois anos de idade, mas leva muito tempo com dietas, a jovem nunca chega a cumpri-las.

“Não consigo parar de comer”, confessou Dayana, que nesta semana teve a coragem de voltar ao colégio, coincidindo com o início das aulas, mas chegou junto de sua mãe, para que não a insultaran.

A jovem diz estar “preparada” para a cirurgia e as inevitáveis mudanças na dieta e as porções que implicam uma redução de estômago.

A menos de um mês para a operação, que faz parte do programa de ação social da Cunha, Dayana está pronto para esta aventura que a levará até Guadalajara, no oeste estado de Jalisco, onde se encontram as instalações de Gastric Bypass México.

Após a viagem, inicia um périplo ainda maior, se adaptar a sua nova realidade e, segundo destacou, começar a cumprir sonhos.

“O dia que o meu peso ideal eu quero celebrar minha festa de 15 anos, vestir a roupa que eu quero e sapatos, porque não me resta nada”, o chefe de relações públicas.

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