150 anos de caricaturas médicas

150 anos de caricaturas médicasCaricaturas de Manuel Díaz-Rubio, professor e especialista no estudo de doenças do aparelho digestivo. Em 1968, ingressou como Acadêmico de número da Real Academia Nacional de Medicina com o discurso Da cirrose posthepatitis / Imagem cedida pela RANMA jornada da saúde a partir dos quadros do Museu do Prado

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Segundo o dicionário da língua espanhola a caricatura é aquele desenho satírico em que se deformam as facções e a aparência de alguém. No entanto, uma caricatura é muito mais. É arte e engenho.

Caricatura de Pío Baroja e Nessi, médico e um dos escritores mais importantes da literatura espanhola

A caricatura tornou-se elemento essencial entre as folhas dos jornais. Podem ser elaboradas desenhos com fundo e de forma, ou apenas alguns traços que conseguem transmitir as mais profundas percepções do autor.

Há mais de um século e meio a caricatura é, portanto, um gênero avaliado para o que são necessárias algumas condições psicológicas e artísticas especiais e que só reúnem os grandes como Forges, Peridis ou Mingote.

Caricatura do doutor Rafael Forns Romans, professor e organizador dos dois primeiros congressos nacionais de Otorrinolaringologia. Conselheiro de saúde, em 1908, foi também um pintor, discípulo de Cecilio Plá

Dizem que não é todos os grandes escritores são bons cartunistas, mas que os bons cartunistas costumam ser grandes artistas.

Assim se recolhe o livro “150 anos de caricaturas médicas em Portugal’, da Real Academia Nacional de Medicina (RANM), com o patrocínio de ASISA que se apresentou na semana passada na mesma academia. Um trabalho de quatro anos de pesquisa com um resultado de mais de 200 médicos caricaturados.

Como qualquer aspecto da vida e da sociedade, os médicos também fizeram e fazem parte do elenco de personagens caricaturados por os melhores. E é porque a figura do médico tem sido, muitas vezes, parte importante da atualidade, em diferentes momentos da história.

Caricatura de Santiago Ramón y Cajal realizada por Mingote em que se vê o médico pintando na tela o que vê através do microscópio

Em Portugal temos a herança de grandes médicos como Ramón e Cajal ou Gregorio Marañón, que todos nós conhecemos e podemos também reconhecer caricaturados através do lápis de artistas como Mingote, Bagaría, Tovar ou Vitin.

Ramón e Cajal é médico e artista da vez. A sua paixão pelo desenho e a pintura é bem conhecida, além de importante se se tiver em conta que era a maneira que tinha de mostrar o que via em sua inseparável microscópio.

Outro médico que aparece caricaturado no livro esconde uma história particular, além de sua fundamental contribuição para a ciência. Trata-Se de Miguel Servet, que acabou queimado vivo, juntamente com um exemplar manuscrito e outro impresso de seu trabalho mais importante: Christianismi Restitutio, impresso clandestinamente em 1553. Apesar de seu trágico desfecho para a história da ciência e sua maior contribuição foi sua formulação sobre a circulação pulmonar, a mais importante retificação que durante o século XVI se fez para a fisiologia galénica.

Caricatura do médico Miguel Servet realizada por Mingote em que se vê a Trindade pintando na tela o corpo humano, enquanto é observado por um grupo de homens a partir da janela

Um dos convidados de honra para a apresentação deste livro, em que arte e medicina confluem foi o grande autor de O País José María Pérez González “Peridis” que compartilhou com os participantes a sua paixão pelo desenho desde que eu era quase uma criança. Já na mili conta que lhe chamavam “o cabo caricaturas”, como vaticinio do futuro que lhe aguardava.

Caricatura de Pedro Cifuentes e Díaz, um dos máximos representantes da urologia portuguesa do século XX

Peridis se dirigiu para os autores do livro para agradecer o seu trabalho, “me fizestes o presente de minha vida, sem o saber, porque eu era órfão, não conhecia Bagaría, conhecia a Cronos, a Ugalde, Mingote, mas estes extraordinários caricaturistas que tendes em vosso livro são os que me faltavam para aprender o ofício”, pois o artista sublinha que “o livro achei todo o código genético do século XIX e início do XX, os grandes ilustradores espanhóis fazendo médicos”.

E como se pega entre linhas o caráter? Pois para ele “o pequeno rito que fica entre a boca e a testa: lá está o gesto, o gesto é o caráter, e o caráter é a alma”.

De uma amostra desse trabalho de estudo e coleta pode desfrutar na sede da Real Academia Nacional de Medicina, onde a exposição ficará em cartaz até 17 de julho.

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