17.000 meninas podem sofrer mutilação genital feminina em Portugal

Mais de 17.000 meninas estão em risco de sofrer uma mutilação genital em Portugal, pequenas cujos familiares são provenientes de povos de países da África subsaariana, Oriente Médio e Ásia, que são submetidas a esse costume muito arraigado e fundamentado por pressões sociais, culturais e históricas.

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Estes são alguns dos dados que gerencia a União de Associações Familiares (UNAF), em jornadas internacionais sobre estas práticas em colaboração com a UNICEF e a obra social La Caixa, com motivo da comemoração, hoje, do Dia internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina (MGF).

“Não são todas as que são, nem estão todos os que são”, disse Neves Crespo, responsável do programa de intervenção e prevenção em MGF de UNAF, ao fazer esta estimativa de meninas em situação de risco. O dado que não se conhece é o de as meninas que residem em Portugal e que já lhes poderiam ter cortado parcial ou total dos órgãos genitais.

Em Portugal as ablaciones, em qualquer de suas formas, constituem um crime de lesões no Código Penal, mas, além disso, em 2005, foi aprovada uma lei que persegue esta prática extraterritorialmente, ou seja, quando é praticado no exterior e os autores ou a pessoa afetada se encontre em território português.

Três comunidades contam com protocolos para agir contra a MGF -Catalunha, Aragão e Navarra, após o aparecimento dos primeiros casos, mas, além disso, o 13 de janeiro, o Ministério da Saúde e as comunidades autónomas concordaram em estabelecer um em comum, para evitar que as famílias africanas residentes em Portugal pratiquem suas filhas quando viajam em seus países de origem.

“Nos centros de saúde espanhóis -explica Crespo – já há anos, detectando esta prática. Os médicos fazem parte de lesões e o denunciam, mas a chave para acabar com essa barbárie é a prevenção, evitar que aconteça a base de explicar às mulheres e mães das consequências e que vejam que muitas das razões e os mitos em que se sustentam para defendê-la são errados”.

A chave para combater a ablação esta na prevenção, e na formação e escolarização das mulheres e mães que “amam suas filhas”. “Essa prática-sublinha Crespo – é uma barbaridade, mas as pessoas que a praticam não são umas bárbaras”.

A história Cristã, a erradicação da mutilação genital em Serra Leoa

Com motivo da comemoração deste Dia Mundial, a ONG Plan Internacional expõe a história de Christiana.

Com 16 anos, Christiana foi forçada a se casar com um homem mais velho que seu pai, e a fazer parte de uma cerimônia secreta de mutilação genital para lançá-la como mulher.

Imagem de Christiana levantando a mão. Efesalud.com

“Todas as mulheres de minha família tinham sido iniciadas. Estavam me preparando para o casamento. O homem que queria casar-se comigo pediu a minha família que me iniciar nesta “sociedade secreta”. Não estava muito feliz porque a minha avó, que me criou, não estava lá. Quando fomos lá, estava assustada. Eu quase desmaiei quando me praticavam a ablação. Era algo muito doloroso, por isso tinha medo”, diz Christiana.

Christiana foi abandonada por seus pais durante a guerra e depois passou por casa de vários parentes que não deram apoio e estabilidade. Como uma menina abandonada, na rua, com 14 anos, ele deixou a escola e começou a vender comida para sobreviver.

Depois chamou a atenção de um homem muito mais velho que lhe ofereceu uma maneira de deixar a rua: casar-se com ele. Não queria casar-se, mas seus parentes lhe pressionou até que aceitou.

Ele era violento com ela e chegou a atacar, tanto que um primo seu, foi resgatá-la daquela casa.

“Agora é um membro do grupo de Emponderamiento de Meninas Plano Internacional, no distrito de Moyamba, ao sul de Serra Leoa, e, recentemente, o elegeram presidente.

Plano acredita que a mutilação genital feminina é uma forma de violência contra as mulheres e meninas e uma violação dos direitos humanos.

A ablação é um reflexo direto do tradicional desequilíbrio de poder entre homens e mulheres e é socialmente aceito em comunidades em que se permite e garante a discriminação e a violência contra mulheres e meninas.

Plano Internacional promove a mudança apoiando os líderes comunitários e os governos para criar uma sociedade onde a desigualdade seja erradicada e os direitos humanos das mulheres e meninas sejam respeitados.

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