50 mães colombianas que tomaram contraceptivos falsos

Cerca de cinquenta mães carentes da cidade colombiana de Arauca, na fronteira com a Venezuela, travam uma cruzada em busca de justiça por ter ficado grávidas ao participar de um programa oficial de planejamento familiar, com contraceptivos que foram falsificados.

50 mães colombianas que tomaram contraceptivos falsosO planejamento familiar é fundamental para as mulheres da Colômbia em situação de pobreza e desigualdade. EFE/Paolo AguilarCrianças superdotadas, e de uma infância diferente

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As mulheres, que formaram a Associação de Mães de Vítimas da Falsificação de Medicamentos de Arauca como plataforma de luta, consideram uma conquista da acusação do Ministério público contra um suposto integrante da rede que vendeu as doses fraudulentas de Nofertyl ao centro médico Jaime Azevedo e Castela.

Assim o reconheceu em declarações telefónicas à Efe a representante da associação, Paula Andrea Cubillos: “Nós aplaudimos que, apesar de que já se passaram quase cinco anos se começarem a ver os resultados, que se prove que dissemos a verdade, que nos deram medicamentos falsos e que há cerca de culpados disso”.

A Procuradoria acusou este mês a Fernando Seabra do crime de corrupção pelo fornecimento de “mil bolhas” falsas Nofertyl em 2008, o centro araucano, enquanto que outro distribuidor, Henry Castelo, já foi condenado a 39 anos de prisão.

A primeira ação que partiu da associação de mulheres, lembrou Cubillos, foi uma ação administrativa contra o centro médico em que cada mês recebiam gratuitamente o tratamento contraceptivo dentro de um programa de planejamento familiar para mulheres em situação vulnerável.

“Muitas delas são mães cabeça de casa, porque a maioria das deixaram os maridos quando ficaram grávidas; outras são deslocadas pelo conflito armado do país. Vivem em um nível socioeconômico muito baixo, em uma humildade terrível”, disse Cubillos.

Das cinquenta mulheres afetadas, apenas três ou quatro têm casa própria, segundo Cubillos, pelo que a associação tem pedido “incansavelmente” subsídios para as autoridades regionais e até ao próprio Ministério da Habitação.

“São mais de cem mulheres que ficaram na gravidez, mas estamos apenas associadas umas cinqüenta por questões culturais”, anotou a representante do grupo.

Até agora, nenhuma entidade tem assumido a responsabilidade por este drama. “Inicialmente, nós nos reunimos com o prefeito de então e nos recomendou que nos asociáramos para poder obter subsídios de habitação, apoios económicos… mas nunca chegaram”, lamentou.

No meio da passividade regional e estadual, Cubillos liderou um trabalho de madrinazgo com esta geração de crianças araucanos, que nasceram do falso Nofertyl.

As rifas e a entrega de brinquedos anteriormente recolhidos por Cubillos em Arauca incluem também a média de três ou quatro irmãos destes menores, que costumam rondar a mesma idade.

Para esta mãe, o mais preocupante é que, ao cabo de cinco anos, nem os laboratórios e as autoridades de saúde tenham esclarecido que tipo de substância está estavam injetando em lugar do verdadeiro método contraceptivo.

“Aparentemente era óleo, mas ninguém nos disse para nunca de que tipo era, se era puro, se estava misturado…”, criticou.

De acordo com a pesquisa nacional de Demografia e Saúde (ENDS) do departamento de Arauca, 79% das mulheres casadas ou que moram com seu parceiro nessa região utiliza um método contraceptivo e um quarto deles têm seu primeiro filho entre os 15 e os 19 anos.

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