8 de cada 10 mulheres, com vícios também sofrem violência machista

Oito de cada dez mulheres com problemas de vícios também sofrem violência machista e a maioria delas têm cargas familiares, circunstâncias que limitam o acesso aos recursos de acolhimento por maus-tratos, como os programas de tratamento por suas dependências

Oito de cada dez mulheres, com vícios também sofrem violência machistaCartaz em uma manifestação contra a violência de gênero e a morte de mulheres por machismo/EFE/Sandra MarquesContra o abuso da Internet e de hipnosedantes em mulheres

Sexta-feira 09.02.2018

Uma abordagem integral de saúde para as mulheres

Quinta-feira 08.03.2018

Violência de gênero: uma igreja que adoece todo o ambiente

Sexta-feira 25.11.2016

O perfil majoritário da mulher atendida pela rede de Atenção aos Vícios (UNAD) nas diferentes comunidades autónomas tem entre 26 e 44 anos, com filhos a cargo, do desemprego, do ensino Fundamental, que consome várias drogas e com mais de 6 anos consumindo.

As principais vícios que sofrem as mulheres são álcool, cocaína, maconha e heroína, mas também a vícios, sem substância, como celular, internet e compras.

Com motivo do Dia Internacional da Luta contra o Uso Indevido e o Tráfico Ilícito de Drogas, o presidente UNAD, Luciano Poyato, destacou a especial vulnerabilidade em que vivem as mulheres com adições, porque mais de 80 por cento sofre violência por parte de seus pares ou exparejas.

“O fato de ter filhos às vezes é uma motivação para iniciar tratamentos de drogodependencias, mas para outras é uma carga”, de acordo com a especialista da Rede de Atenção às Drogas, Elisabeth Ortega, para a qual devem se adaptar às necessidades das mulheres, os programas de intervenção de vícios.

“O sistema não entende, nem atende a mulheres com problemas de vícios”, destacou a especialista da Comissão Vícios e Gênero, que tem alertado para a falta de atenção que existe para o consumo de psicofármacos em mulheres, “uma realidade muito mais freqüente nelas do que neles.

Os programas de atenção por vícios, não só atenderam as mulheres que sofrem com este problema, mas também aos seus familiares, que também têm um perfil feminino. 64 por cento dos familiares que acessaram algum tipo de ajuda eram mulheres.

mulheres vícios de álcool

“As mulheres são as que cuidamos das pessoas com problemas de vícios e o fazemos com menor compreensão, pois é dada por fizemos o nosso papel de cuidadoras”, explica António Besteiro, da Fundação Mulheres Progressistas, que assinou uma aliança com a UNAD para abordar com maior eficácia dessa feminilizante de vícios.

A presidente Mulheres Progressistas, destacou a invisibilidade das mulheres nesse papel de vítimas de vícios e de cuidadoras de pessoas que têm esse problema.

“É importante que se coe o feminismo nas agendas de todos os domínios e muito mais neste vícios em que estamos invisibilizadas” para facilitar a aproximação com os tratamentos.

Mas não só no âmbito dos tratamentos, Besteiro reclama “incorporar o gênero dentro de nossas vidas, valores e trabalho como profissionais”, assim como implementar planos de igualdade nas diversas empresas e entidades.

A rede de atenção aos vícios lembre-se que a situação para as mulheres é mais grave nos centros penitenciários, onde representam mais de 8 por cento da população prisional.

As mulheres internas somam um terceiro fator de discriminação devido à sua condição de privação de liberdade em poucos centros que não estão adaptados às suas necessidades.

mulheres vícios igualdade feminismo

A relatora da UNAD incide em que os contextos de lazer se penaliza o consumo de drogas por parte da mulher, por causa do preconceito social e do estigma, “considerando-se este como atenuante para os homens e agravante para as mulheres, os episódios de violência sexual”.

As organizações que trabalham neste âmbito, impõe-se uma reformulação dos programas e recursos atuais para que se adaptem às necessidades das mulheres, mais profissionais com formação na perspectiva de gênero para que, em um primeiro momento, as mulheres com problemas de vícios recebam um tratamento adequado e respeitoso de um clima de confiança.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply