8 questões que talvez você não sabia

Linfoma: 8 questões que talvez você não sabiaImagem do desenvolvimento e evolução de um linfoma. Sistema de estádios de Ann-Arbor/ Imagem fornecida pela Celgene

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O linfoma é um tipo de câncer que não se encontra entre os mais comuns na população. A doutora Dores Cavalheiro, chefe da Seção de Clínica do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário de Salamanca, explicou o Curso sobre onco-hematologia, realizado recentemente pelo laboratório Celgene, que “em Portugal se dão entre 7 ou 8 casos por cada cem mil habitantes por ano”, sendo “doenças raras”. Quer saber mais sobre este tipo de câncer no sangue?

1. Definição

Trata-Se de um tipo de câncer que ocorre quando se dá um bug na forma de agir dos linfócitos (células que fazem parte do sistema imunitário). Isso faz com que a criação de uma célula anormal que torna-se cancerosa. Uma das características deste cancro que tem origem nos gânglios linfáticos, e, ao igual que o resto de linfócitos, os cancerígenos podem crescer em muitas partes do corpo: nódulos linfáticos, medula óssea, sangue, órgãos, etc.

Por isso mesmo, a doutora indica que a presença deste tipo de câncer em outras partes do corpo “não pode ser interpretado como metástase, pois o sistema linfóide está em todo o corpo e em qualquer um dos lugares onde estiver pode ocorrer”.

2. Tipos de linfoma

Há 30 tipos de linfoma. A classificação mais comum é a diferenciação entre o linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin (que se divide por sua vez em linfoma não-Hodgkin de células B ou células T). “Cerca de 60% se curam, no caso dos linfomas de Hodgkin são curados em 80%”, explica a voluntária.

3. População de risco

Os linfomas são mais frequentes na sexta década de vida. Ainda assim, a doutora indica que depende do tipo de linfoma, pois há alguns que dizem respeito, sobretudo, à população jovem. É o caso do linfoma de Burkitt, que se dá em gente jovem”.

4. Causas e prevenção do câncer

linfoma sintomas

A doutora diz que na maioria dos casos não se sabe a causa do linfoma”, exceto “bactérias como o Helicobacter pylori ou alguns vírus, como o HIV, que desempenham um papel relevante, embora não único, no desenvolvimento de alguns linfomas”.

Acrescenta, ainda, que “a prevenção não existe” quando falamos deste tipo de câncer, mas lembre-se “que a vida saudável é boa para tudo, pois o sujeito saudável vai tolerar qualquer tratamento”.

5. Sintomas

O sintoma mais comum do que você pode fazer suspeitar sobre a aparição de um linfoma é a presença de um volume (uma linfadenopatia). Os lugares mais comuns onde se encontram são pescoço, axila e inglês, e quase nunca são dolorosos.

A febre (superior a 38º), fortes sudoraciones noturnas e perda de peso podem ser outros sintomas desta doença. Também podem aparecer outros sintomas mais locais, como adenopatías periféricas ou aumento do baço (esplenomegalia).

6. Diagnóstico

Além de exames pertinentes, sempre é necessário fazer uma biópsia em três pilares, que consiste em realizar uma punção do órgão afetado para extrair uma amostra e analisar. Em função dos resultados, pode ser que o especialista faça outros testes, como exames de sangue, raios-x, e outras mais complexas, como uma biópsia de medula óssea, “para ver se esses linfócitos estão na medula óssea”.

Uma vez que o hematologista sabe o tipo de linfoma, é importante, para decidir qual o tratamento mais adequado, saber em que estágio a doença se encontra o paciente. Para isso, existe o sistema de Ann-Arbor, que é uma classificação que divide a fase da doença em quatro estádios:

  • Estádio I: a doença afeta apenas a um território em três pilares ou a uma única localização extralinfoide.
  • Estádio II: envolvimento de dois ou mais territórios ganglionares ou estruturas linfóides no mesmo lado do diafragma.
  • Estádio III: são afetados territórios ganglionares ou estruturas linfóides em ambos os lados do diafragma.
  • Estádio IV: doença disseminada de uma ou mais posições extralinfáticas.

7. Tratamento

O tratamento do linfoma “é complicado, porque há linfomas dificilísimos de diagnosticar”, explica o médico, acrescentando que ” para decidir qual o tratamento a realizar “há que saber se a finalidade é curar ou aliviar sintomas”. É dizer, de sobrevivência ou de melhorar a qualidade de vida que seja.

Além disso, haverá que ter em conta factores como “o prognóstico, a idade e a fase da doença”, ressalta a especialista. “Há que ter em conta a doença e o doente, e a idade é um fator fundamental”.

Em função de tudo isso, o tratamento pode ser variado: agentes alquilantes (que atacam diretamente o DNA para impedir a reprodução das células cancerígenas), anticorpos, quimioterapia, radio-quimioterapia ou a possibilidade de realizar um transplante (reservado normalmente a gente jovem que possa suportá-lo, pois é um tratamento muito complicado).

8. Recomendações para pacientes

1. Alimentação adequada para evitar a desnutrição e suas conseqüências, como a sensação de fraqueza e fadiga.

2. Uma dieta equilibrada é fundamental, em que estejam presentes carboidratos, proteínas e gorduras.

3. Exercício físico. Sempre consultando com o médico, pode ser benéfico para as defesas imunológicas.

Sete de cada dez pacientes não conhecem o linfoma até o seu diagnóstico

Com motivo do Dia Internacional da doença foi realizado o debate “Marcos e desafios assistenciais no diagnóstico e tratamento do linfoma”, ao qual compareceram o dr. Miguel Ángel Canais, chefe de Seção de Hematologia do Hospital Da Paz; a doutora Ana Jiménez Ubieto, médico adjunto de Hematologia do Hospital 12 de Outubro e Begoña Barragán, presidente da AEAL.

A campanha “Acorda e informe-se” trata de estabelecer o paralelismo entre a importância do hábito do café da manhã com o de informar. A ausência de conhecimento sobre esta doença ligada à sua síntomatología, muito genérica, dificulta o seu diagnóstico.

O linfoma é uma doença que se origina nos gânglios linfáticos. Ocorre quando se produz uma falha no funcionamento dos linfócitos, um tipo de glóbulo branco que se encarrega de regular a resposta imune específica contra elementos estranhos ao organismo.

Esta doença continua a ser desconhecida e difícil de compreender para o paciente. “Não é igual a um tumor sólido, que você pode imaginar, por isso é necessário fazer com que a doença seja mais compreensível para o paciente”, afirma a presidente da AEAL, com diagnóstico de linfoma em 2001.

Por este motivo, a doutora Ana Jiménez considerou que o desafio principal é informar aos pacientes desde o início da doença. “Têm de ser participantes de todas as decisões que são tomadas e conhecer as possibilidades de sucesso e fracasso e a tudo que se enfrenta”, diz.

“Há que deixá-los saber que participar de um ensaio clínico não é usá-los como cobaias, mas que estes se fazem através de um processo de investigação no laboratório”, são fundamentais para o avanço desta e podem ajudá-los em sua doença, diz a doutora.

A importância da informação

A tomada de decisões compartilhada requer um intercâmbio de informações entre o paciente e o profissional de saúde com o objetivo de chegar a uma decisão de consenso. A hematóloga considera que esse procedimento deve fazer parte das rotinas de trabalho e incluir nos programas de formação dos profissionais de saúde.

Reconhece também que as novas tecnologias desempenham um papel fundamental para os pacientes: “por um lado, na Internet há informações não muito válida, mas por outro são fundamentais porque lhes permitem aceder a páginas da web que nós lhes podemos aconselhá-lo e entrar em contacto com outros doentes através das redes sociais”.

Neste sentido, considera-se interessante que os profissionais de saúde tivessem uma guia com informação fiável sobre a doença que pudessem entregar-lhe o paciente.

Antonio Barragán destaca-se o papel da informação no diagnóstico e reconhece que, embora os pacientes não o confessam na consulta, procuram na Internet. “Eu cheguei a achar que ia viver um ano e, por muito que me dissessem os médicos, estava convencida disso”, afirma.

A presidente da AEAL também foi considerado que a atenção psicológica que recebem os pacientes com linfoma é insuficiente e desigual. “Em alguns hospitais há e em outros não, mas eu acho que é muito difícil que tenhamos psicoonólogos integrados nos equipamentos por falta de recursos, embora sejam muito necessários. Às vezes estamos suprindo esta necessidade das associações de doentes, mas não deixamos de colocar remendos, porque não há opções para todos”.

Sessenta tipos de linfoma diferentes

Para o doutor Miguel Ángel Canais uma das principais dificuldades com que se defronta o paciente é a complexidade desta patologia: “Há sessenta tipos de linfoma diferentes, o que gera muito desconhecimento da doença”. No entanto, na prática clínica, predominam, principalmente, três subtipos: o linfoma difuso de células grandes, linfoma de Hodgkin e o linfoma folicular.

“O correto diagnóstico dos diferentes tipos de linfomas é um dos principais desafios que enfrentamos”, afirma o hematologista. Os avanços mais importantes no campo foram ligados ao conhecimento da biologia de linfomas, que tem facilitado o desenvolvimento de terapias dirigidas.

As terapias dirigidas não só exigem saber o tipo de linfoma, mas também as alterações genéticas e moleculares que ocorrem dentro de cada subtipo , e que podem se beneficiar de tratamentos mais específicos. “É neste ponto que devemos colaborar clínicos com os patologistas e exigir o apoio da administração para a introdução de novas técnicas incomum neste caso foi“, ressalta Miguel Ángel Canais.

Rituximab

O prognóstico tem melhorado muito com as novas opções farmacológicas. Os anticorpos monoclonais e imunoterapia estão ajudando a reduzir a toxicidade das terapias. Não obstante, a quimioterapia continua a ser a primeira linha de tratamento para diversos tipos de linfomas, que respondem de forma adequada a esta, tal como explicaram os médicos.

É fundamental melhorar as primeiras linhas de tratamento, pois é o ponto em que mais pacientes são curados”, diz o doutor Miguel Ángel Canais. Embora a pesquisa também está focalizando em encontrar novos alvos moleculares e tratamentos para que a porcentagem de pacientes que não respondem favoravelmente aos já existentes encontrem uma opção de cura, conforme explicou Ana Jiménez.

O linfoma de Hodgkin, a diana

O presidente do Grupo Português de Câncer de Pulmão e chefe do serviço de Oncologia do Hospital Porta de Ferro de Lisboa, Mariano Provencio, explicou que os transplantados de medula óssea por linfoma de Hodgkin tratados com nivolumab não voltam a apresentar a doença em 70% dos casos.

“Uma vez que os estudos clínicos em casos de linfomas geralmente demonstram que duplicam as taxas de sobrevivência quando se junta com quimioterapia, apliquémoslo em situação precoce e veremos se duplicamos o paciente sua capacidade de cura”, afirmou.

Esse é o objetivo do ensaio clínico, em fase de recrutamento de pacientes, que também analisará o grupo de candidatos que mais se beneficia desta estratégia terapêutica.

Novas indicações

O Sistema Nacional de Saúde dispõe, desde outubro, de nivolumab para três novas indicações: para o tratamento em monoterapia com câncer de pulmão não microcítico de histologia não escamosa localmente avançado ou metastático após quimioterapia; para o carcinoma avançado de células renais em monoterapia após pré-tratamento para o câncer de pele avançado em combinação com ipilimumab, outro inmunoterápico Bristol-Myers.

As outras duas indicações para as que já foi aprovado são melanoma em monoterapia e em segunda linha de tratamento para câncer de pulmão não microcítico de histologia em flocos.

Estas aprovações de nivolumab em Portugal “destacam nosso compromisso com a pesquisa de tratamentos inovadores que ajudem os pacientes com doenças graves. Desde a Bristol-Myers Squibb continuaremos focando nossos esforços para o avanço destes novos tempos para o tratamento do câncer, que oferece a Imuno-Oncologia”, afirma Roberto Úrbez, vice-presidente europeu e diretor geral BMS Espanha e Portugal.

.-Efesalud

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