86 milhões de meninas ameaçadas

A nível mundial estima-se que há pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres que sofreram mutilação genital. Se a tendência atual continuar, para 2030, 83 milhões de meninas sofrem algum tipo de mutilação. Também em Espanha, existem mais de 18.000 meninas em situação de risco

Mutilação genital: 86 milhões de meninas ameaçadasFOTO CEDIDA PELA ONG PLAN INTERNATIONAL

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Estes são dados que operam com as Nações Unidas e outras organizações como a Médicos do Mundo ou Plano internacional, por ocasião do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, 6 de fevereiro, voltam a levantar a voz contra essa prática, que implica uma forma de violência contra as meninas, com dramáticas conseqüências para sua saúde física e mental.

Concretamente, e de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as complicações imediatas podem incluir: dor intensa, hemorragia, inflamação dos tecidos genitais, febre, infecções, como o tétano, problemas urinários, lesões dos tecidos genitais vizinhos, estado de choque, morte.

Em Portugal, a Fundação Clínica Dexeus foi reconstruído o clitóris a 89 mulheres vítimas de ablação, a partir de 2017.

Mutilação genital feminina: consequências

As consequências a longo prazo podem vir também a partir das infecções urinárias (micção dolorosa, infecções do trato urinário), até os problemas vaginais (leucorrea, prurido, vaginose bacteriana e outras infecções) passando por problemas menstruais (menstruação dolorosa, trânsito difícil de sangue menstrual, etc.)

Também lista a OMS outras consequências como lesões de pele, os problemas sexuais (coito doloroso, menor satisfação…)

Ou o maior risco de complicações no parto (parto difícil, hemorragia, cesariana, necessidade de reanimação do bebê, etc.) e de mortalidade neonatal.

Às vezes a zona genital é costurada repetidas vezes, mesmo depois que a mulher dê à luz, com o que se vê submetida a aberturas e encerramentos sucessivos, coisa que aumenta os riscos imediatos e a longo prazo.

Distúrbios psicológicos

Os transtornos psicológicos que refere a Organização Mundial de Saúde são, principalmente, depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, a baixa auto-estima.

Segundo estudos, citados pela Plan International, 46% dessas mulheres desenvolvem problemas de ansiedade.

E 78% disseram sofrer sentimentos de intenso medo e horror por muito tempo depois.

Mutilação genital feminina: as razões

De acordo com esta última ONG, as razões para a prática da mutilação genital feminina, são variadas e complexas, mas as principais causas são derivadas de padrões e normas culturais profundamente arraigados.

Às vezes, costuma-se sustentar, erroneamente, como um requisito religioso, mas a prática é anterior a todas as grandes religiões e não está especificada em nenhum texto religioso.

VÍDEO CEDIDO PELA ONG PLAN INTERNATIONAL

Para a maioria das culturas em que se pratica a principal razão para a mutilação genital feminina é a crença de que é necessária para conseguir um bom casamento.

A arraigada crença de que a mutilação genital feminina é equivalente a limpeza, pureza e moral rigorosa é o principal fator para a continuação da prática.

Mutilação genital feminina: nada distante

De acordo com Médicos do Mundo, embora pareça distante, a mutilação genital afeta as nossas vidas de muitas maneiras:

“E é que a violência de gênero-de que a mutilação é uma de suas mais graves manifestações, custa ao governo 226 bilhões de euros em cada ano; os sistemas educativos perdem alunas, o sector da saúde se vê obrigado a dedicar recursos humanos e financeiros para atender os danos que esta prática representa para a saúde das mulheres, e a vida de milhares de famílias, que se vê prejudicada”.

Esta ONG concentra os seus esforços na prevenção e conscientização das mães e pais residentes em Portugal, mas provenientes de países onde a mutilação é fundamental para o desenvolvimento, especialmente da África subsaariana.

A entidade tem em andamento projetos em 9 comunidades autónomas: Aragão, Baleares, Castilla-La Mancha, Catalunha, País basco, Madrid, Navarra e país basco, Andaluzia e Canárias, as duas últimas com abertura em 2018.

A situação em Portugal

Segundo a organização, cerca de 18.400 meninas estão em risco de sofrer mutilação genital feminina em Portugal. E depois são as mulheres e meninas que já sofreram.

Face a esta situação pede às autoridades que garantam a assistência integral às sobreviventes desta prática, incluindo o apoio psicológico e terapia sexual e afetiva para tratar as disfunções que provoca.

Também exige que se reconheça como causa para concessão do asilo por razões de gênero, o fato de ter sofrido com a ablação ou estar em risco de sufrirla, além de incluir plenamente essa prática dentro das legislações estadual e regionais contra a violência machista, e a elaboração .

Ablação mulheres

Reconstrução do clitóris

Especificamente, a partir de 2017 centro Dexeus Mulher foi reconstruído o clitóris a 89 mulheres vítimas de ablação com intervenções gratuitas que tem praticado através do Programa de reconstrução genital.

O Programa de reconstrução genital faz parte do trabalho de assistência social da Fundação Dexeus Mulher, e é liderado pelo doutor Pere Bairro Soldevila, que foi o primeiro médico que realizou esta intervenção em Portugal.

Nações Unidas: Dados Relevantes

A nível mundial, e de acordo com as Nações Unidas, estima-se que há pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres mutiladas.

Atualmente, a cada ano mutilando os genitais a três milhões de meninas.

44 milhões de meninas menores de 14 anos são vítimas da ablação, principalmente em Gâmbia (56%), Mauritânia (54%) e Indonésia, onde cerca de metade das meninas de 11 anos têm sofrido esta prática.

Os países com a prevalência mais alta entre mulheres e meninas entre 15 e 49 anos são a Somália (58%), Guiné (97%) e Djibouti (93%).

A mutilação genital feminina é praticada em meninas, em algum momento de suas vidas entre a infância e a adolescência.

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