A 30 anos de origem da aids, qual é a situação?

Cada 1 de dezembro, um novo padrão vermelho, abraça o mundo como símbolo do Dia Mundial contra a Aids, doença que, segundo a ONU, já matou mais de 36 milhões de pessoas em mais de três décadas. Diante da impossibilidade, hoje, de cura, só temos duas armas para erradicar: informação e prevenção

A 30 anos de origem da aids, qual é a situação?EFE/Ulisses Rodrigues

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Os anos 80 entraram com ar de liberdade para Portugal e para grande parte do mundo. No entanto, seu início, ficaram marcados com a chegada de uma nova doença que alarmou a população e que desconcertou as comunidades médicas e científicas, tanto pelos sintomas, como pela rapidez com que se voltaram para as suas primeiras vítimas.

Hoje sabemos que se trata do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), o qual, se não for controlado, pode resultar na Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (aids), termo utilizado para definir os estádios mais avançados da infecção.

O desafio é não esquecer os estragos que causou desde o seu aparecimento e, assim, poder transmitir às novas gerações os riscos de ignorá-lo.

Os primeiros casos

Em 1981 , um grupo de médicos Dos Anjos convocou uma coletiva de imprensa para falar de cerca de pacientes atendidos em vários hospitais que apresentavam um tipo de infecção pouco frequente em adultos jovens.

Em particular, se falava de cinco homens homossexuais com uma caixa de neumocistosis, infecção dos pulmões que só acontece em pessoas com o sistema imunológico danificado, juntamente com um raro câncer da pele, que provocava manchas de cor-de-rosa.

No início você qualificou como ” doença “só de homossexuais”, mas em breve novos casos apareceram em outros países, apresentando-se também em viciados em drogas injetáveis, como a heroína.

A comunidade científica uniu esforços e em poucos meses se lhe deu o nome a esta nova condição: aids, descrevendo, assim, o seu principal sintoma: a imunodeficiência.

De acordo com a ONU, entre 1983 e 1984 pesquisadores isolaram o vírus que causa a aids, o HIV, e concluíram que se tratava de um retrovírus que, durante anos, só havia afetado a diferentes espécies de macacos e que, em algum momento, teve de dar o salto para a raça humana.

A princípios dos anos 80, havia cerca de 100.000 adultos infectados pelo HIV, mas a doença se espalhou rapidamente e, 20 anos depois já se falava de 33,4 milhões de pessoas com o vírus.

Em Portugal, a epidemia sem controle

Antes de 1990, a Espanha já tinha colocado como o país europeu mais afetado pelo HIV, pois, em poucos anos, o vírus se espalhou, especialmente na viciados em heroína.

“Em nosso país, a introdução do vírus ocorreu, sobretudo, pelo compartilhamento do material de injeção e, em menor medida, em homens que têm sexo com homens (HSH)”, explica GeSIDA no documento “Pôr ao dia. Infecção pelo HIV/aids e o adulto”.

Até 2010, se tem registradas no país 54.246 mortes relacionadas com esta doença.

A tomar medidas

O primeiro medicamento para tratar o HIV foi aprovado em 1987, mas não foi até 1996 , quando em Portugal se fez extensiva à Terapia Antirretroviral de alta Atividade (HAART), conseguindo diminuir as mortes causadas pela aids.

No entanto, ainda ficava diminuir a propagação do vírus. A esse respeito, a Secretaria do Plano Nacional Sobre Aids conta em seu relatório de 2012 da ONU, as medidas que tomaram para controlar e diminuir os contágios entre as quais estão:

  • TARGA gratuito e confidencial para tudo o que precisar, ainda a imigrantes em situação irregular. (Atualmente, mais de 50% dos novos diagnósticos em Portugal provêm da américa Latina e África Subsaariana).
  • Programa de desintoxicação de viciados em drogas injetáveis, especialmente heroína, metadona. Assim, as 6.200 infecções que havia no início dos anos 90, por esta via, se conseguiu chegar a apenas 690 em 2010.
  • A tendência agora indica um aumento de infecções por transmissão sexual, pelo que existe um grande impulso e promoção do uso do preservativo feminino e masculino.
  • Prevenção em pessoas que exercem a prostituição.
  • Prevenção da transmissão em pessoas que vivem com HIV.

Mas Portugal continua a ser dos países europeus com maior incidência do vírus, pouco a pouco, os números foram diminuindo e em 2011 o Ministério da Saúde registrou 2.763 novos diagnósticos de HIV e 844 casos de aids.

Avanços e o caminho para 2015

No âmbito do Dia Mundial Contra a Aids, Unaids , publicou o documento “Tratamento 2015”, o que sublinha a importância de que tenha cada vez mais acesso aos tratamentos anti-retrovirais, pois, até agora, é a forma mais eficaz de combater o vírus, junto com a prevenção.

O objetivo é chegar aos 15 milhões de pessoas para o ano de 2015, a nível mundial. Atualmente, cerca de 9,7 milhões de infectados têm alcance das medicações necessárias.

Ainda há muito caminho por percorrer, pois, em 2012, cerca de 35,3 milhões de pessoas viviam com o vírus HIV, mas a ONU espera que os avanços que se estão a ajudar a que logo se chegue a zero infecções e zero mortes relacionadas com a aids.

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