à sombra de um mestre

“Não posso viver sem você” é uma frase comum entre namorados. Estar acoplado a uma pessoa ou a um hábito consome energia, liberdade e saúde mental. Esse vínculo obsessivo implica angústia, medo de perder o objeto de desejo e pouca capacidade de apreciação perante a vida. Há que aprender a repartir o que faz mal

Dependência emocional: a sombra de um mestreEFE/Ian Langsdon

Artigos relacionados

OMS: uma quarta parte da população mundial realiza atividade física insuficiente

Quinta-feira 06.09.2018

Com boa onda dos 365 dias do ano

Terça-feira 04.09.2018

Após as férias: ¡depuração digital!

Segunda-feira 03.09.2018

Os seres humanos nascemos para estabelecer laços com os outros, mas ninguém nos ensinou a controlar o seu impacto na nossa vida. Algumas pessoas, objetos ou idéias atuam como um imã, que nos oprimem, conseguem que nos pleguemos a seus pés e causam mal-estar se afastam. A sensação de dependência é completa.

O psicólogo clínico Walter Riso diz em seu último livro, que “se acharmos que algo ou alguém é indispensável em nossa vida, estamos à sombra de um mestre”. EFEsalud entrevistou o autor de Desapegarse sem anestesia (Editora Planeta) e lhe foi perguntado sobre os poderes do “mestre” e como pode corrompernos.

Há quem não concebe a vida sem o seu namorado, mãe, telefone móvel ou de um centro de fitness. Nenhum desses elementos é imprescindível para chegar à frente. Não podemos dizer o mesmo do ar ou a água, por exemplo. Todos sentimos afeição e simpatia para com algo ou alguém, mas a existência desse sujeito não deve condicionar nossa felicidade. Se você não estiver disposto a perda renúncias a um dos traços inatos do homem: a autonomia, a capacidade de gobernarte a si mesmo e ser livre.

Primeiro passo: identificar o apego

Riso define o apego como a “incapacidade de renunciar a um desejo quando este atenta contra a sua saúde mental, sua felicidade ou a sua capacidade de vida“. O quero deixá-lo e não posso torna-se um pesadelo para o afetado, subordinado a um escravo que decide por ele. “Negocias com seus princípios, com a sua dignidade e com seus valores. Sofre de uma patologia da liberdade”, explica o psicólogo. Há quatro pontos que nos ajudam a detectar o problema:

  1. Desejo insaciável → Sua sede não se acalma. Necessita cada dia mais. “Você é um ruminante para poder manter o mesmo sabor do chiclete que masticas”, diz Riso.
  2. Falta de controle → você Não está capacitado para regular sua conduta frente a um determinado objeto, pessoa ou idéia.
  3. Desconforto → Não estar perto do motivo de seu vício lhe provoca ansiedade.
  4. Persistência → Sabe que as consequências da relação com a pessoa ou aparelho são negativas, mas não pode cortar o vínculo de união.

Imagine que você tem um salva-vidas para cruzar o rio, porque, se não se hundes. Depende do flutuador. Não seria melhor aprender a nadar? “Muitos dos apegos existem porque se ajudam e mantêm a sua falta de habilidade. Resolve seus déficits para não ser fisgado pelas soluções fáceis”, aconselha o psicólogo argentino.

Por que ‘eu preciso’?

Muitas pessoas filmes e perfectionists adotam uma férrea rotina de trabalho de que não se podem desvincular-se mesmo que elas queiram. Outras angustian ao imaginar sua vida sem seu parceiro. Uma das causas do vício é a imaturidade emocional: aqueles que se encaixam no perfil, têm pouca tolerância à dor e à frustração. “São vulneráveis e incapazes de fazer uma boa gestão do lazer. Sempre querem mais”, aponta Riso.

A crença de que o prazer é para sempre não ajuda a combater o apego. Tudo se acaba. As relações morrem, os celulares estão quebrados, as condições de trabalho variam, mas alguns se surpreendem ao descobrir em primeira pessoa a esta realidade. Nunca estão preparados para o duelo. Se a essa atitude, adicionamos a incapacidade de lidar com os conflitos , sem pedir ajuda para resolvê-los, a probabilidade de desenvolver dependência emocional é muito maior. “Se você está procurando um chavão cada vez que você tem um problema, te apegarás a elas”, adverte Riso.

Perjudicarse a si mesmo

As conseqüências do vício nunca foram boas. Para começar, o dependente falta de liberdade. Não sabe tomar decisões em primeira pessoa. É certo que o objeto de desejo dá uma tranquilidade transitória enquanto está lá, mas quando desaparece, a sensação é insuportável.

Será que vale a pena viver com ansiedade por medo de perder o que –em teoria– dá-nos a felicidade?

‘Já nada me produz tanto prazer como me conectar a internet. Se me tiram internet, me tiram a vida’. Cuidado: este fato indica que a sua capacidade de apreciação perante a vida está em perigo. Riso explica que o fenômeno da redução hedonista faz com que apenas colher com o objeto a que estamos apegados.

Filosofia do desapego

O objetivo desta teoria é a de não criar novos apegos, eliminar pouco a pouco, os que já temos e encontrar uma maneira inteligente de gerir. Desprender de alguém não significa indiferença afetiva, isto é, que a tua dor não me doa e a tua alegria não me alegre. “Significa estar contigo, mas não me sentir preocupado com a relação, que tu não me defina, e eu não te detenha”, diz o psicólogo.

O autor propõe uma multidão de estratégias para “desapegarse sem anestesia” em seu livro. Aqui tem algumas das mais importantes:

  • Aceitar que nada é para sempre. A permanência não existe. “As coisas mudam, se transformam e se perdem. Há que incorporar esta filosofia”, insiste Riso.
  • Criar resistência contra os apegos. O treinamento é simples: “entra uma barrinha de chocolate na boca e sácatela tal qual é”. Aprenda a sobreviver sem o que você acha que dá sentido à sua existência.
  • Tornar-se um banco de névoa. Você é um ser nebuloso, que não pegar insultos ou críticas. Se você deixar que as palavras dolorosas se cruzarem, evita depender da aprovação dos outros, por exemplo. “É melhor que se aplaudan a que se silben, mas se você não pode viver sem o aplauso, você tem um problema”, aponta Riso.
  • Dose de realismo. “Temos que ver as coisas como elas são. Os budistas ensinam uma virtude: a desesperança”, relata o psicólogo. Aprender a perder é importante para não esbarrar com a realidade e sofrer em excesso.

Medo de mudança

O apego biológico dos filhos é inevitável, mas de nos preocupar com eles a ter uma atitude excesso de proteção, há uma distância considerável. “Há aqueles que impedem que seu filho se independice, seja livre e aprenda a cuidar de si mesmo”, afirma Riso. Quando chega o momento de que o mocho abandone o ninho, alguns pais entram em crise. Porventura, acreditamos que a infância é eterna?

Amar a família não está bem disputado, com autonomia. “Há que estar atento, mas não ser dependente“, sugere o psicólogo.

Não obstante, a crise fez com que nossos parentes voltem a ocupar um papel central em muitos casos. “Antes, ninguém pensava nos seus avós, e agora são os que estão segurando a família”, declara o Riso. Não é a única consequência de uma das fases mais negras da economia de nosso país.

Quem disse que trabalho? Muitas pessoas perderam ou tiveram que se adaptar a novas condições, novos horários, novo nível de vida. Talvez não estávamos preparados para uma mudança tão brusca. Riso afirma que “a crise nos tirou da rotina, e nos educou a força. É como um terapeuta que nos ajuda a desapegarmo-nos de coisas”. Alguns sortudos ficaram sem iate. Outros foram forçados a deixar sua casa ou migrar para outra cidade.

E é que estar atrelado a bens materiais é muito comum. Boa parte das pessoas que frequentam a consulta de Walter Riso são viciadas em tecnologia (internet, telefonia móvel), à moda e à beleza. É o caso das “pacientes cirúrgicas fominhas” ou os viciados no centro de fitness.

A chave para desengancharte de tudo o que condicione sua felicidade é não vê-lo como essencial. Lembre-se: não deixe que o seu desejo se torne-se uma necessidade.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply