A um maior número de mulheres obesas, câncer ginecológico

A obesidade é um fator de risco importante para o câncer de endométrio, já que os tecidos gordos produzem estrogênio e estes favorecem o aparecimento deste tipo de tumor, o câncer ginecológico mais frequente em Portugal

A um maior número de mulheres obesas, câncer ginecológicoMaria Anjos bate-papo com os jornalistas no final da conferência de imprensa. EFE

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Para aumentar a conscientização sobre estes tumores, a Associação de Afetados por Câncer de Ovário (ASACO) celebrará a jornada Globeathon sob o lema “Cada passo é uma conquista”, cujo eixo central é uma marcha de “passos físicos” para dramatizar “os passos sociais”, que há que ir dando para melhorar a saúde psicológica das mulheres afetadas.

Assim o manifestou, em conferência de imprensa, a presidente ASACO, Paz Ferrero, que anunciou que esta associação está a dirigir a Rainha Letizia e a ministra da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade, Ana Mato, para pedir que se declare setembro como o mês do câncer ginecológicocomo fez Barack Obama nos Estados Unidos.

Retrato fotográfico de Paz Ferrero, presidente das mulheres afetadas pelo câncer de ovário. efesalud.com

Mais de 12.300 mulheres são diagnosticadas a cada ano em Portugal de câncer ginecológico, 46% delas, de endométrio. A taxa de cura é muito alta, já que em mais de 90% dos casos é detectada em fases iniciais.

No entanto, o ovário, o segundo em incidência (33 %), é diagnosticada em estágios avançados em 80 % dos casos, o que o torna o tumor ginecológico mais agressivo, com uma mortalidade superior a 60 %.

O que engorda o câncer?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as estatísticas de câncer ginecológico estão aumentando, como conseqüência, em parte, do aumento da obesidade.

Neste sentido, o doutor Lucas Minig, chefe de serviço de ginecologia do Instituto Valenciano de Oncologia, disse que a obesidade está associada especificamente ao câncer de endométrio, associado com uma maior quantidade de estrógeno.

Retrato fotográfico do doutor Lucas Minig, chefe do serviço a prestar de ginecologia do Instituto Valenciano de Oncologia. efesalud.com

“A obesidade, propiciada por uma má alimentação, que geram resíduos tóxicos que vão alterar o sistema imunológico e uma maior propensão a sofrer de câncer”, disse o ginecologista, oncologista, que insistiu em que é um fator de risco “importante”.

Câncer de ovário

O doutor Minig salientou que de todos os tumores ginecológicos o de ovário é “o grande desafio” dos profissionais e explicou que o primeiro passo para abordá-lo é a cirurgia, cujo objetivo final deve ser “extirpar o total da doença”.

Esta cirurgia, foi indicado, deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar liderada por um ginecologista, oncologista, uma especialidade que em Portugal não existe.

“Há que fazer uma cirurgia ultrarradical, além de retirar os órgãos reprodutores”, disse o doutor Minig, que afirma que “com uma má cirurgia inicial, poucas possibilidades de controlar a doença”.

A este respeito, Minig explicou que existem estudos que demonstram que quando a cirurgia foi realizada por um oncologista ginecológico os pacientes vivem mais 20%.

Em correspondência com este especialista, o dr. Antonio González, da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), salientou que “hoje, o principal desafio é o câncer de ovário”, um tumor muito difícil de diagnosticary para o que não existem técnicas de detecção precoce. “Nem há, nem se espera”.

Retrato fotográfico do doutor Antonio González, da sociedade espanhola de oncologia médica. efesalud.com

O doutor González, presidente do Grupo Português de Investigação em Cancro do Ovário (GEICO), declarou que não é uma doença única, já que, pelo menos, há cinco tipos, por isso que o tratamento em um futuro próximo não vai ser o mesmo para todas as mulheres.

De fato, já começa a haver tratamentos específicos para pacientes com alterações moleculares específicas, como as portadoras do gene BRCA, que se tornou famoso a raiz de que a atriz norte-americana Angelina Jolie anunciado que o tinha.

“Já dispomos de medicamentos que podem ajudar nessa mutação em situações de reincidência da doença e há outros que estão em desenvolvimento”, explicou o oncologista.

Elas, em primeiro lugar

Por sua parte, Maria Anjos Escolar, afetada de câncer de ovário, disse que desde que começou a ter desconforto até que foi diagnosticado com a doença passaram 6 meses, um prazo “assustador”, segundo disse a presidente ASACO, já que a média em Portugal está entre os 3 e 4 meses.

Retrato fotográfico de Maria dos Anjos Escobar, uma mulher acometida pelo câncer de ovário, que leva um lenço esquelético a cabeça. efesalud.com

O principal problema é que os sintomas (dor abdominal, cansaço excessivo, incontinência urinária, etc) são inespecíficos e podem ser confundidos com outra patologia.

Como diz o doutor Minig, de cada 10.000 mulheres que chegam à emergência com dor abdominal, apenas uma ou duas vão ter um câncer de ovário.

Por elas, por todos, no próximo dia 21 de setembro é necessário dar alguns passos à frente contra o câncer de ovário

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