‘Viver a pulso’, dez referentes literários em um livro contra o câncer infantil

‘Viver a pulso’ é um projeto literário em que dez escritores narram as histórias de dez pessoas que, apesar de as doenças que sofrem, fazem suas experiências em exemplos de superação. Fernando Aramburu, Juan Manuel de Prada, Solidão Puértolas, Lorenzo Silva e Bernardo vendedor de passados -entre outros-, participaram na elaboração deste livro, cujos benefícios revertem para a pesquisa do câncer infantil

'Viver a pulso', dez referentes literários em um livro contra o câncer infantil

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Viver a pulso é um livro em que dez referentes a narrativa espanhola, como Juan Manuel de Prada, Solidão Puértolas, Gustavo Martín Garzo, José Maria Merino, Mercedes Salisachs, Lorenzo Silva, Fernando Aramburu, Marta Rivera da Cruz, Bernardo vendedor de passados e Luis Mateus Díez, contam as histórias de dez pacientes, tornando seus casos médicos em narrativas literárias.

Trata-Se de uma iniciativa da Clínica Universidade de Navarra (CUN), que recentemente abriu sua nova sede em Madrid e da qual procedem todos os pacientes protagonistas do livro, e da Penguin Random House, Editora (Alfaguara), um projeto cuja actividade teve início em 2007, com um relato anual, e que agora se apresenta na forma de uma coleção literária em um único volume.

Tanto a editora, como os autores e a própria Clínica doados a totalidadedos lucros da venda do livro para a investigação do cancro infantil através do programa “Crianças contra o Câncer”, o projeto da UNIVERSIDADE que tem como fim promover a pesquisa e ajudar as famílias no diagnóstico e tratamento da doença.

viver a pulso

“O câncer é uma doença dura e, quando se dá nos jovens, é ainda mais difícil de digerir. De facto, anualmente são diagnosticados cerca de 200.000 novos casos em todo o mundo e continua sendo a primeira causa de morte infantil por doença nos países desenvolvidos”, explica o director-geral da Clínica, José Andrés Gómez Canteiro.

Com esta série de contos, “queremos prestar uma homenagem aos nossos pacientes e ampliar suas sensações ao público”, já que “nesses momentos de vida tão intensos é quando as pessoas dão o melhor de si mesmas”, diz Gomez Canteiro. Este livro é “uma forma de trazer suas emoções e sentimentos ao público em geral e isso, pensamos, deveria ser através da literatura e de grandes escritores”.

Por sua parte, o livro Viver a pulso foi prolongado por Valentín Fuster, cardiologista do Mount Sinai Medical Center, em Nova York.

Viver a pulso, dez histórias de superação e vida

viver a pulso

A coleção “Histórias da Clínica” começou há dez anos com A perna de Peter Parker, de Juan Manuel de Prada, que conta a luta de uma criança e de seus pais contra um osteosarcoma.

Continuou, em 2008, com O clarinetista grato a você, que Solidão Puértolas reflete a história de um transplante de fígado entre vivos.

Para Puértolas, este relato reflete “como em certas histórias familiares e de relações humanas, se configuram todo um conjunto de cumplicidade, afeto…”. Em suma, esta história lhe mostrou uma lição de que “temos alguns aliados que não vemos, doadores invisíveis, e talvez estes sejam a nossa esperança”.

Em 2009, editou – Notícias de Neve de Gustavo Martín Garzo, que aborda a história de Elmo, um paciente que sofria de leucemia e que, anos mais tarde, teve que ser transplantado do coração.

Em 2010, continuou a coleção com A batalha de todos os dias de José Maria Merino, que conta a história real de uma paciente que sofria de obesidade e que deu o passo de se submeter a uma cirurgia bariátrica para melhorar a sua vida.

Um ano depois (2011), o quinto relato intitulado “Canto da vida, escrito por Mercedes Salisachs. A escritora narra a história de Laura, uma paciente que recebeu tratamento na Clínica Universidade de Navarra contra o câncer de mama que sofreu enquanto estava grávida.

O sexto livro, Tudo parece, foi obra de Lorenzo Silva (2012) e explica a história de superação de Ana, uma mulher com surdez progressiva que consiga recuperar a audição, graças a dois implantes cocleares.

Conta Silva, que o processo de recuperação do som de Ana o levou a se dar conta de que “vivemos em um mundo, com tendência para a simplicidade e para a aniquilação da diversidade das percepções que nos traz a realidade”. No entanto, com sua história, descobriu que vivemos em um mundo mais rico de nuances do que pensávamos e o que tudo parece”.

O sétimo relato foi nós Somos Flávio. Escreveu Fernando Aramburu (2013) para aproximar a realidade de um paciente que sofreu um avc isquêmico, que lhe causou uma ‘síndrome do cativeiro”, que o impedia de se comunicar.

O aniversário de Perez Fontan foi uma história de Marta Rivera da Cruz em 2014. Este livro narra a experiência da família Pérez Fontán, em que, mãe e filho tiveram que fazer frente a duas doenças tumorais que conseguiram superar com sucesso.

Em 2015, Bernardo contou o vendedor de passados em NARP, o caso de Felisa Rodríguez, a história de uma paciente com a síndrome degenerativo que lhe provocou a perda do ouvido e da vista, esta última desde os primeiros anos de vida.

“No seu caso, eu visto uma segurança que lhe permite dar muitos passos e sua melhor arma é o desejo de ser dona de si mesma, de cuidar, de não confiar em ninguém, nem em nada”, diz o vendedor de passados.

O décimo e último volume (2016) foi escrito por Luis Mateus Díez e leva o título de O corpo dobrado. Seu protagonista é Manuel, um paciente que enfrenta com força e otimismo uma doença renal crónica e que lhe fez sofrer várias complicações.

“A sua é uma vida inteira em frente ao sofrimento”, e seu “corpo dobrado” representa um dos corpos mais vapuleados que possa existir na história das doenças”, descreve Diez.

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